Logística na Copa de 2026: desafios do maior mundial da história

O mundial de futebol de 2026 já nasce como um marco para o esporte e também para a logística global. Pela primeira vez, o torneio será sediado por três países simultaneamente — Estados Unidos, Canadá e México — e contará com 48 seleções, contra 32 nas edições anteriores. O novo formato deve elevar significativamente a movimentação de pessoas, mercadorias, equipamentos e operações de suporte. 

Segundo estimativas, o evento terá 104 partidas, distribuídas entre diversas cidades da América do Norte, ampliando a complexidade operacional do torneio. Para a cadeia logística, isso significa maior pressão sobre transporte, armazenagem, distribuição e planejamento de supply chain. 

Para fora dos estádios, megaeventos esportivos movimentam setores como varejo, alimentos e bebidas, hospitalidade, tecnologia, mídia, infraestrutura e merchandising, todos fortemente dependentes de uma logística integrada e altamente coordenada. 

Um megaevento, três países e milhares de operações logísticas 

Organizar um evento como esse já é um desafio de escala global. Em 2026, a complexidade aumenta devido à operação multinacional envolvendo México, Estados Unidos e Canadá. 

Estádios precisam receber equipamentos técnicos, estruturas temporárias, mobiliário, sistemas de transmissão, painéis digitais, materiais promocionais e ativos tecnológicos. Ao mesmo tempo, patrocinadores, redes varejistas, hotéis, restaurantes e fornecedores trabalham para atender o aumento esperado da demanda. 

Em outros países do mundo, não é diferente: a vontade de torcer pela sua seleção mobiliza milhares de pessoas a comprarem apetrechos, álbuns de figurinhas, camisas oficiais e as tão famosas vuvuzelas, que fizeram sucesso na África em 2010 e ultrapassaram 3 milhões de vendas apenas no continente de origem neste mesmo ano.  

São diversos personagens envolvidos entre a produção e a chegada destes objetos no local e no tempo corretos para que a festa seja garantida. 

Transporte marítimo: o meio-campista da logística global 

O modal marítimo é o protagonista na preparação do evento, especialmente para cargas de grande escala e menor urgência. Isso porque ele permite a consolidação de diversos contêineres em um único navio. Para se ter ideia, navios de pequeno porte têm capacidade de transportar até 3.000 TEUs, enquanto navios de grande porte suportam até 15.000 TEUs e os maiores, os chamados “ultraportes”, podem chegar a embarcar até 24.000 TEUs ou mais. Isso significa que um único navio pode carregar milhares de contêineres de uma só vez, movimentando centenas de milhares de toneladas de um ponto ao outro no mundo. 

Equipamentos de infraestrutura, mobiliário, materiais promocionais, itens de merchandising, tecnologia, displays, estruturas temporárias e produtos destinados ao varejo frequentemente dependem do frete marítimo para viabilizar custos competitivos. E neste mega evento, essa logística é ainda mais explorada. 

É por conta desse grande volume e do timing correto que o planejamento é crucial nesse processo. Imagine só que, antes mesmo de embarcar, a sua carga passa por etapas como coleta, armazenagem, documentação, desembaraço aduaneiro e consolidação no porto de origem. Depois de embarcada, inicia-se o transporte internacional, com o acompanhamento da rota, eventuais transbordos e gestão dos prazos de trânsito até o destino final. Chegando ao porto de destino, a carga é descarregada, passa pelos processos de liberação alfandegária, segue para armazenagem temporária e só depois chega até você. 

Pensando em uma camisa da seleção brasileira, por exemplo, o transporte marítimo pode ser essencial tanto em sua fabricação, com o transporte de maquinário, tecido e botões, até a sua distribuição global. Em 2026, a estimativa é que mais de 1 milhão de camisas oficiais do Brasil sejam vendidas, gerando um faturamento de R$400 milhões. 

Modal aéreo: o atacante da velocidade logística 

Se o marítimo atende escala, o transporte aéreo é destaque quando velocidade e precisão se tornam prioridades. Álbuns e figurinhas colecionáveis, por exemplo, podem ser transportados via aérea para atender picos inesperados de demanda em diferentes países ou garantir abastecimento próximo ao início do torneio.  

O mesmo vale para uniformes oficiais, produtos licenciados, materiais promocionais, equipamentos de transmissão, tecnologia utilizada nos estádios, peças de reposição críticas e itens destinados a patrocinadores, imprensa e operações do evento. 

Especialmente no mundial deste ano, o transporte aéreo assume um papel ainda mais estratégico devido ao formato inédito do torneio, sediado simultaneamente por Estados Unidos, Canadá e México. A distribuição das partidas entre os três países aumenta a complexidade logística e a demanda por um transporte rápido e eficiente com cronogramas apertados. 

Trucking: o lateral que conecta a operação de ponta a ponta 

Nenhuma operação internacional se completa sem eficiência no transporte terrestre. É por isso que o trucking e a armazenagem estratégica são verdadeiros pilares que conectam portos, aeroportos, centros de distribuição e locais de consumo. 

O fluxo logístico da Copa começa muito antes do apito inicial, com a importação de toneladas de equipamentos, materiais esportivos e insumos. Nos três países-sede (Estados Unidos, México e Canadá), o transporte rodoviário se mostra vital e é responsável por uma parcela significativa da movimentação de mercadorias.  

O acúmulo de cargas nos terminais portuários e aeroportos exige uma resposta rápida e o transporte rodoviário atua diretamente nesta necessidade, evitando custos adicionais e gargalos Em um torneio com partidas espalhadas por dezenas de localidades, o modal será fundamental para garantir o abastecimento de estádios, hotéis, patrocinadores, pontos de venda e operações de apoio, além da distribuição de produtos licenciados, alimentos, bebidas e materiais promocionais e na logística reversa após o encerramento do evento. 

É uma operação complexa e essencial para que todos esses produtos, e tantos outros, cheguem ao destino. O mundial de 2026 também deve impulsionar a necessidade de armazéns estruturados que servem como pulmões estratégicos, onde as mercadorias são armazenadas até sua distribuição, especialmente próximo a grandes centros urbanos, hubs logísticos, aeroportos e cidades-sede. 

O que o evento revela sobre o futuro da logística internacional 

O maior torneio de futebol do mundo evidencia como a logística internacional está se tornando cada vez mais integrada, dinâmica e multimodal. Com o torneio distribuído entre Estados Unidos, México e Canadá, o planejamento é o técnico da seleção, coordenando tempo, prazo e organização correta do processo para que a carga chegue com sucesso a seu destino e vença o jogo. 

Para embarcadores, operadores logísticos e empresas com atuação internacional, o Mundial representa, além de um desafio operacional, uma grande oportunidade de demonstrar eficiência, flexibilidade e capacidade de execução em escala global.  

Nossos especialistas do México e do Brasil se reuniram neste ano de Copa para gravar o Craft Talks, o podcast oficial da Craft, e fazer um bate-bola entre países e suas cadeias logísticas. Aperte o PLAY para conferir a conversa e já se preparar para o maior torneio futebolístico mundial! 

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