A inteligência artificial está deixando de ser uma tecnologia experimental para se tornar uma ferramenta estratégica na logística internacional. Ao analisar grandes volumes de dados, identificar padrões e apoiar decisões em tempo real, a IA está transformando processos como previsão de demanda, planejamento de rotas, monitoramento de cargas e gestão da cadeia de suprimentos.
E o movimento já está sendo amplamente percebido. A 7ª edição do DHL Logistics Trend Radar colocou a inteligência artificial, ao lado da sustentabilidade, entre as principais tendências que devem impactar a logística na próxima década. O estudo identificou 40 tendências relevantes para o setor, sendo 23 tecnológicas, e destacou cinco frentes relacionadas à IA: inteligência artificial generativa, ética em IA, IA de áudio, visão computacional e análise avançada.
IA na logística: de previsão a tomada de decisão
Uma das aplicações mais importantes da inteligência artificial na logística está na capacidade de transformar dados históricos e informações em tempo real em previsões. Em vez de analisar apenas o que já aconteceu, sistemas inteligentes podem identificar padrões e estimar possíveis cenários futuros.
Na gestão da cadeia de suprimentos, isso pode significar uma previsão mais precisa da demanda, melhor planejamento de estoques e maior capacidade de antecipar mudanças. Em um ambiente internacional, no qual atrasos, alterações de rotas, condições climáticas e questões geopolíticas podem modificar uma operação rapidamente, essa capacidade de antecipação ganha ainda mais importância.
A IA também pode cruzar diferentes fontes de informação para identificar riscos. Dados de transporte, histórico de operações, condições climáticas, disponibilidade de capacidade e informações sobre rotas podem ser analisados simultaneamente para apoiar decisões mais rápidas.
Otimização de rotas e transporte
Outro campo em que a inteligência artificial está mudando a logística é a otimização de rotas. Algoritmos podem analisar diferentes variáveis para encontrar alternativas que considerem tempo, capacidade, custos e possíveis interrupções.
Esse tipo de tecnologia é especialmente relevante em operações multimodais e no comércio exterior, em que uma carga pode passar por diferentes transportadores, terminais, portos e aeroportos antes de chegar ao destino.
A lógica também vale para a “última milha”, etapa final da entrega, quando a mercadoria sai de um centro de distribuição, armazém ou terminal e chega ao destino final, geralmente o cliente. Segundo levantamento citado pelo Business Insider, essa etapa pode representar cerca de 41% dos custos logísticos, o que ajuda a explicar por que empresas vêm utilizando IA para otimizar rotas, prever problemas e melhorar a eficiência das entregas.
IA generativa também chegou à logística
Quando se fala em inteligência artificial, a IA generativa costuma ser associada à produção de textos e imagens. No entanto, suas aplicações para a logística são mais amplas.
Modelos de linguagem podem auxiliar na interpretação e organização de grandes volumes de informações, na elaboração de relatórios, na consulta a documentos e na comunicação entre diferentes áreas e idiomas.
Isso é particularmente relevante para o comércio exterior, que envolve documentos, fornecedores, clientes e parceiros localizados em diferentes países.
A IA também está transformando o que é transportado
O impacto da inteligência artificial não acontece apenas dentro dos sistemas logísticos. O crescimento da própria indústria de IA está modificando os fluxos globais de carga.
Um exemplo recente está no transporte aéreo. Segundo a Reuters, cargas relacionadas à infraestrutura de IA, como chips, processadores e servidores, representaram apenas 7% do volume de carga aérea em 2025, mas responderam por 53,5% do valor transportado. O crescimento da demanda por equipamentos de IA já está influenciando rotas, capacidade e estratégias de companhias aéreas asiáticas.
O dado mostra uma relação importante: a IA não está apenas transformando a maneira como a logística funciona. Ela também está criando novos fluxos de comércio internacional e aumentando a demanda pelo transporte de produtos de alto valor agregado.
Inteligência artificial e o papel das pessoas
Apesar de todo o potencial da tecnologia, a inteligência artificial não elimina a necessidade de especialistas. Pelo contrário: à medida que tarefas repetitivas podem ser automatizadas, cresce a importância de profissionais capazes de interpretar informações, avaliar cenários e tomar decisões.
Na CRAFT, o investimento em inteligência artificial caminha lado a lado com o desenvolvimento das pessoas. O Inova CRAFT, programa de inovação, capacitação e transformação lançado em 2024, incentiva os Crafters a identificar desafios reais e desenvolver soluções com IA, APIs e dados. Na primeira edição, foram 84 ideias apresentadas, 39 selecionadas e 10 levadas ao Hackathon, em uma construção conjunta entre as áreas de negócio e tecnologia.
Entre os projetos, estão soluções que automatizam a análise de faturas de fornecedores e o processamento de solicitações de cotação, reduzindo um processo de 24 a 48 horas para cerca de cinco minutos. Na segunda edição, o foco passou a ser a experiência do cliente, com iniciativas que combinam dados de tracking aéreo e marítimo com IA para oferecer maior visibilidade e insights preditivos.
A experiência reforça a estratégia da CRAFT de combinar conhecimento de negócio, pessoas e tecnologia para gerar resultados concretos. Quer conhecer mais sobre essa jornada? No episódio do CRAFT Talks gravado durante a Intermodal, a Diretora Global de Transformação, Queit Zunino, conversa com Cristiane Alonso e Lucas Scheid sobre a evolução do Inova, os projetos desenvolvidos e os próximos passos da iniciativa.
Aperte o PLAY e confira o vídeo completo para conhecer os bastidores dessa jornada de inovação!