México: um novo eixo estratégico para as cadeias globais

A Craft desembarca no México em um momento-chave. Pouco a pouco, o país tem ganhado protagonismo no mapa do transporte internacional de cargas por sua proximidade com os Estados Unidos e sua posição estratégica no continente americano, com saídas para o Pacífico e para o Atlântico. Esse crescimento traz desafios para todos os atores da cadeia logística, que precisam conhecer a fundo especificidades culturais, legais e tributárias e superar alguns gargalos de infraestrutura que ainda afetam o custo das operações em seu território.

Muito mais que exportar tequila, aguacate/avocado, novelas e ícones da cultura pop, o México hoje é reconhecido pela sua força na indústria automotiva, um dos principais motores de investimento e crescimento, e na exportação de commodities e cargas refrigeradas, com destaque para frutas, carne e minerais.

Ao mesmo tempo, o país é considerado uma ponte logística cada vez mais importante entre Ásia e Estados Unidos, especialmente em um cenário marcado pela reorganização das cadeias produtivas globais e pelo avanço do nearshoring.

Mas, para além do potencial econômico e do crescimento acelerado, quem opera na região precisa saber que o mercado mexicano está longe de ser simples. Há camadas operacionais que podem passar despercebidas para quem observa o país apenas pelos números ou pelas oportunidades que surgem a todo momento. Questões como infraestrutura, segurança, complexidade aduaneira e até mesmo as dimensões territoriais do país impactam diretamente a operação logística e exigem uma leitura muito mais profunda do mercado.

Atenção a todos os detalhes

“O México não se caracteriza por ser simples”, destaca Federico Tamez, responsável pela condução da nova filial da Craft, inaugurada em Abril de 2026. Em sua participação no Craft Talks, gravado na última Intermodal, Federico trouxe luz para alguns dos principais desafios operacionais do comércio exterior no país. E essa talvez seja uma das principais diferenças entre navegar por mais uma tendência e realmente entender como sobreviver e alcançar seus objetivos nesse território.

São detalhes que muitas vezes passam despercebidos para quem olha apenas para tarifas ou volumes movimentados. Em um país com dimensões continentais, desafios de segurança, particularidades regionais muito específicas e variáveis como transporte terrestre, custos de pre-carriage, disponibilidade operacional e estrutura logística podem impactar diretamente a eficiência de uma operação.

Além disso, Federico e seu convidado, Alexandre Martinelli, da BSM Forwarding, revelaram que, diferente de mercados mais integrados e simplificados, a movimentação de cargas no México exige acompanhamento próximo, conhecimento técnico e capacidade de adaptação constante, especialmente diante das recentes mudanças regulatórias e atualizações na legislação local. Para eles, entender essas nuances deixou de ser apenas um diferencial operacional para se tornar parte essencial da estratégia de quem deseja crescer de forma sustentável dentro do país.

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Obstáculos que ainda precisam ser superados

Federico e Alexandre também destacaram que, com o aumento do volume de cargas, do interesse internacional e dos movimentos de nearshoring, investimentos em terminais portuários, aeroportos e estruturas logísticas passaram a ganhar ainda mais relevância dentro da estratégia mexicana de longo prazo.

Entre os exemplos citados está o projeto de expansão do porto de Manzanillo, localizado na costa do Pacífico e hoje principal porto mexicano em movimentação de cargas. Além de concentrar boa parte das conexões marítimas com o Far East, o porto vem sendo tratado como um ativo estratégico para sustentar o novo posicionamento do México dentro das cadeias globais de comércio e ampliar sua capacidade operacional nos próximos anos.

Atuação local para impacto global: o relacionamento próximo faz toda a diferença

Em meio a um cenário cada vez mais automatizado e pressionado por eficiência, esta edição do Craft Talks ilumina um ponto que segue crucial: mercados complexos exigem leitura local profunda.

Operar no México exige muito mais que competitividade em tarifas ou reforço na capacidade operacional. Em um ambiente marcado por desafios aduaneiros, distâncias continentais e mudanças constantes, procurement local, proximidade com parceiros e entendimento do território passam a ser parte essencial da estratégia.

Acompanhar os fluxos globais apenas não é suficiente. O desafio está em interpretar contextos locais e é justamente nesse ponto que relacionamento próximo, presença regional e capacidade de adaptação ganham valor. É fundamental conhecer detalhes operacionais, dinâmicas regionais e nuances que dificilmente podem ser entendidas à distância ou replicadas de maneira automática.

E esse panorama é ainda mais relevante em um momento dominado por automação, inteligência artificial e processos cada vez mais digitais. Federico e Alexandre endossaram um lema: “somos un negocio de personas.”
Flexibilidade, escuta, suporte durante todo o processo e a capacidade de entender a real necessidade do cliente seguem sendo diferenciais difíceis de substituir, especialmente em mercados que exigem interpretação de cenários e respostas construídas sob medida.

Em mercados como o mexicano, entender o território, distinguir contextos e construir relações locais deixou de ser apenas um diferencial operacional. Tornou-se parte essencial da maneira como cadeias globais conseguem crescer de forma sustentável em cenários cada vez mais desafiadores.

Assista ao Craft Talks completo gravado durante a Intermodal 2026, onde Vitor Maia, da Craft Brasil, recebeu Federico Tamez e Alexandre Martinelli para uma conversa transformadora sobre os desafios de transportar cargas de e para o país. É só apertar o PLAY!

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