Nas últimas décadas, a digitalização tornou o transporte de cargas mais conectado, ágil e rastreável. Sistemas de gestão, plataformas de booking, documentos eletrônicos, integrações com clientes e fornecedores e ferramentas de acompanhamento de embarques são apenas alguns exemplos de como a tecnologia torna a operação cada vez mais veloz e orientada por dados.
Ao mesmo tempo, essa conectividade ampliou a exposição das empresas e dos clientes aos temidos ataques cibernéticos. Para empresas que atuam na logística e no comércio exterior, uma invasão não representa apenas um problema de TI: um incidente pode comprometer dados comerciais, interromper acessos a sistemas, afetar a comunicação entre os elos da cadeia e gerar atrasos em operações que dependem de informação disponível em tempo real.
Mas como evitar? E quem deve ser responsável por prevenir esses ataques, os próprios usuários ou a empresa? A seguir, você confere mais sobre esse tema que vem ganhando cada vez mais importância no mundo do comércio exterior, NVOCC e do transporte internacional de cargas.
Por que o setor de transporte de cargas está tão exposto a riscos cibernéticos?
A cadeia logística funciona a partir de uma extensa rede de conexões. Em uma única operação, embarcadores, agentes de carga, armadores, companhias aéreas, transportadores terrestres, terminais, portos, aeroportos, despachantes, fornecedores de tecnologia e autoridades podem trocar informações e documentos.
Essa interdependência é essencial para o fluxo das cargas, mas também cria pontos de atenção. A CISA, agência norte-americana de segurança cibernética e infraestrutura, destaca que portos, operadores de terminais, empresas de transporte e outros agentes precisam atuar de forma coordenada e que uma interrupção cibernética pode gerar impactos que se propagam pelo sistema global de transportes.
Além disso, ambientes logísticos combinam sistemas corporativos, plataformas em nuvem, dispositivos conectados e, em determinados contextos, tecnologias operacionais. Quanto maior o número de integrações e terceiros com acesso a informações, maior a importância de estabelecer controles consistentes.
Quais são os principais ataques cibernéticos que podem atingir empresas de logística?
Phishing e roubo de credenciais
E-mails falsos, páginas de login fraudulentas e mensagens que simulam contatos de clientes ou fornecedores continuam entre as portas de entrada mais comuns para invasões. No transporte internacional, em que há alto volume de mensagens, documentos, cobranças e alterações operacionais, tentativas de fraude podem se misturar à rotina.
Ransomware
O ransomware pode criptografar arquivos e tornar sistemas indisponíveis, muitas vezes acompanhado do roubo de dados e da ameaça de divulgação das informações. A CISA alerta que esse tipo de incidente pode paralisar processos essenciais e provocar impactos financeiros e reputacionais. O setor de transportes está entre os segmentos já atingidos por grupos de ransomware.
Fraudes financeiras e alteração de dados
O comprometimento de contas de e-mail ou credenciais pode ser usado para alterar instruções de pagamento, dados bancários, documentos ou informações de uma operação. Em uma cadeia que movimenta valores elevados e envolve empresas de diferentes países, validações adicionais são indispensáveis.
Ataques por meio de terceiros
A segurança de uma empresa também depende dos parceiros e fornecedores conectados ao seu ecossistema. Credenciais comprometidas, acessos remotos sem proteção adequada ou softwares vulneráveis podem criar caminhos indiretos para um ataque.
Como aumentar a cibersegurança no seu ambiente de trabalho
A verdade é que não existe uma única ferramenta capaz de eliminar o risco. A segurança cibernética depende de uma estratégia em camadas, que envolve tecnologia, processos e o engajamento das pessoas para que as instruções adequadas circulem e sejam seguidas.
Aqui estão 7 processos primordiais para que o plano de aumentar a cibersegurança do seu ambiente de trabalho seja um sucesso:
- Adote a autenticação multifator
A autenticação multifator adiciona uma etapa de verificação além da senha e reduz o risco de que uma credencial roubada seja suficiente para acessar sistemas críticos. A recomendação é especialmente importante para e-mail, VPN, plataformas corporativas e contas com privilégios elevados.
- Mantenha sistemas e softwares atualizados
Atualizações corrigem vulnerabilidades que podem ser exploradas por agentes maliciosos. Sistemas operacionais, aplicações, equipamentos de rede e ferramentas utilizadas na operação devem seguir uma rotina de atualização e gestão de vulnerabilidades.
- Controle acessos de acordo com a função
Cada usuário deve acessar apenas os recursos necessários para executar seu trabalho. Revisões periódicas de permissões e a remoção rápida de acessos de pessoas que mudaram de função ou deixaram a empresa ajudam a reduzir riscos.
- Faça backups e teste a recuperação
Backups são fundamentais, mas precisam estar protegidos e acompanhados por um plano de recuperação. A empresa deve saber quais sistemas são prioritários, quanto tempo pode operar sem eles e como restabelecer processos críticos diante de uma indisponibilidade.
- Treinamento é fundamental
Cibersegurança também é comportamento. Treinamentos recorrentes ajudam os colaboradores a reconhecerem mensagens suspeitas, proteger credenciais, validar solicitações incomuns e reportar rapidamente possíveis incidentes. Na logística, esse cuidado deve alcançar áreas operacionais, comerciais, financeiras e administrativas.
- Avalie fornecedores e integrações
Antes de conceder acessos ou integrar plataformas, é importante entender quais dados serão compartilhados, como serão protegidos e quais controles o fornecedor adota. Contratos e processos de homologação podem incluir requisitos mínimos de segurança e procedimentos para comunicação de incidentes.
- Tenha um plano de resposta a incidentes
Quando um ataque acontece, velocidade e coordenação fazem diferença. O plano deve definir responsáveis, fluxos de comunicação, prioridades de recuperação e procedimentos para preservar evidências, conter o incidente e manter as operações essenciais.
Cibersegurança também é continuidade logística
No transporte internacional, informação e carga caminham juntas. Um embarque pode depender de documentos, liberações, instruções, sistemas e comunicação entre diversos participantes. Proteger essa infraestrutura digital significa proteger também a continuidade da operação.
Na CRAFT, esse assunto é levado a sério com programas de conscientização, aprendizagem e práticas de segurança da informação. Empresas que incorporam a cibersegurança à gestão de riscos aumentam sua capacidade de prevenir interrupções, reagir com rapidez e manter relações mais confiáveis com clientes e parceiros.