Um notebook, uma ferramenta elétrica e um power bank têm algo em comum: a presença de uma bateria de lítio. Mas, no transporte aéreo, esses produtos podem seguir exigências diferentes, afinal a forma como a bateria é embarcada — sozinha, junto ao equipamento ou instalada nele — muda a preparação da carga e as possibilidades de transporte.
Por isso, identificar a presença e as características da bateria no produto que será transportado precisa fazer parte do planejamento desde o primeiro contato com o fornecedor. Quando essa informação aparece apenas na entrega da mercadoria, pode ser necessário rever embalagem, documentação e até o voo.
Neste artigo, você entende as principais exigências e os cuidados para planejar o embarque com mais segurança.
Por que essas baterias exigem atenção?
Danos, defeitos e curtos-circuitos podem provocar a chamada “fuga térmica”, uma reação em que a bateria aquece de forma descontrolada, libera gases e pode pegar fogo. O calor também pode atingir outras células e ampliar o incidente.
Esse risco explica os cuidados exigidos no transporte, pois a segurança depende tanto das características da bateria quanto da maneira como ela é preparada para embarcar.
UN 3480 ou UN 3481: qual é a diferença?
Para baterias de íons de lítio, presentes em muitos dispositivos recarregáveis, há três situações principais:
- UN 3480 — bateria sozinha: enviada sem o equipamento que vai alimentar. É o caso de power banks e baterias de reposição avulsas.
- UN 3481 — embalada com o equipamento: acompanha o aparelho na mesma embalagem, mas está fora dele. Por exemplo, uma ferramenta com a bateria acondicionada ao lado.
- UN 3481 — contida no equipamento: já está instalada no aparelho, como em um notebook ou tablet.
Embora as duas últimas situações compartilhem o mesmo número UN, elas seguem instruções de embalagem diferentes. Baterias de lítio metálico, geralmente não recarregáveis, pertencem a outra classificação: UN 3090 ou UN 3091.
A bateria também influencia a escolha do voo
Baterias UN 3480 são proibidas como carga em aeronaves de passageiros e devem seguir em aeronaves cargueiras, conforme as exigências aplicáveis.
Já as baterias que acompanham equipamentos ou estão instaladas neles podem ser aceitas em aviões de passageiros, respeitando os limites e as condições previstos para cada enquadramento. A aceitação também depende das restrições da companhia aérea.
O nível de carga importa
Para UN 3480, a regra geral exige estado de carga de até 30%. Desde 1º de janeiro de 2026, esse limite também é obrigatório para baterias embaladas com equipamentos, conforme a PI 966: na Seção I, aplica-se a todas as células e baterias; na Seção II, às que excedem 2,7 Wh. O transporte acima do limite depende de aprovação das autoridades competentes.
Para baterias instaladas nos equipamentos, conforme a PI 967, a IATA recomenda estado de carga de até 30% ou indicação de carga no equipamento de até 25%. É preciso conferir também as condições de aceitação da companhia aérea.
O que conferir antes de embarcar?
Com o fornecedor, reúna as informações sobre o tipo de bateria — íons de lítio ou lítio metálico, capacidade em Wh, quantidade e forma de acondicionamento. Também verifique a disponibilidade do resumo dos ensaios UN 38.3, que demonstra o atendimento aos testes aplicáveis ao modelo.
Esses dados permitem avaliar embalagem, marcações, etiquetas e documentação exigidas para a operação. Informar apenas “eletrônicos” na descrição comercial não oferece os detalhes necessários para essa análise.
Sua carga tem bateria de lítio? Compartilhe essa informação com a equipe CRAFT desde a cotação. Antecipar a avaliação ajuda a planejar o embarque com mais segurança e a evitar ajustes quando a mercadoria já estiver pronta para seguir. Para acessar nossos contatos e escritórios ao redor do mundo, é só clicar aqui.