O que acontece com a sua carga antes de decolar nos Estados Unidos?

Para quem acompanha uma importação aérea, a decolagem costuma ser um dos momentos mais aguardados. Mas, antes de a aeronave ganhar altitude, a carga já percorreu uma etapa decisiva da viagem: os procedimentos de segurança que permitem seu embarque. 

Nos Estados Unidos, esse percurso envolve tanto a inspeção da mercadoria quanto a verificação de quem está enviando os volumes. Duas cargas com o mesmo destino podem ter opções de voo diferentes dependendo do status do embarcador e entender essa dinâmica desde a cotação ajuda a planejar a operação com mais precisão. 

Como a segurança passou a fazer parte desse percurso? 

Os atentados de 11 de setembro de 2001 transformaram a segurança da aviação. Em novembro daquele ano, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration, a TSA, responsável por estabelecer e fiscalizar procedimentos de segurança nos transportes. 

A carga aérea também passou por mudanças. Uma lei de 2007 determinou a inspeção de 100% das cargas transportadas em aeronaves de passageiros, com um nível de segurança equivalente ao aplicado às bagagens despachadas. Isso significa que os volumes transportados no porão desses aviões precisam passar pelos controles exigidos antes do embarque.  

O que é verificado antes do embarque? 

A inspeção busca identificar possíveis ameaças à segurança do voo. Conforme as características da carga e os procedimentos aplicáveis, podem ser utilizados diferentes métodos: 

  • Raio-X: permite visualizar o conteúdo da embalagem. 
  • ETD: detecta traços de explosivos por meio da análise de amostras coletadas na superfície. 
  • EDS: utiliza sistemas automáticos de detecção de explosivos. 
  • Equipes com cães farejadores: atuam na identificação de explosivos dentro dos programas autorizados. 
  • Inspeção física: envolve a abertura e a verificação do conteúdo, conforme os procedimentos exigidos. 

Esses recursos não representam uma sequência obrigatória pela qual toda mercadoria passa. O método adotado depende da operação e dos requisitos de segurança aplicáveis. 

A inspeção pode começar antes da carga chegar ao aeroporto 

Parte desse trabalho pode ser realizada em instalações certificadas no Certified Cargo Screening Program, programa de triagem da TSA. Isso permite que a carga seja inspecionada antes de sua entrega à companhia aérea. 

Depois da inspeção, é necessário preservar a integridade dos volumes e manter os controles da cadeia de custódia até o embarque. A segurança, portanto, depende também de como a mercadoria é protegida e transferida entre os participantes da operação.  

Para o embarcador, isso exige disponibilidade para os procedimentos de verificação. A recusa em permitir a inspeção pode impedir a aceitação da carga para transporte. 

Known shipper e unknown shipper: por que essa diferença importa? 

Além de avaliar a mercadoria, a operação considera o status do embarcador nos Estados Unidos. É nesse ponto que entram duas classificações importantes para o planejamento aéreo. 

O known shipper é o embarcador validado dentro do sistema de segurança americano. Esse status permite considerar o transporte de suas cargas em aeronaves de passageiros, desde que sejam atendidos os demais requisitos da operação. Com isso, pode haver mais alternativas de rotas e frequências disponíveis. 

Já o unknown shipper não possui essa validação para embarques em aeronaves de passageiros. Nesse caso, o planejamento deve considerar voos cargueiros, o que pode alterar a disponibilidade de espaço, o itinerário e o prazo de transporte. 

Mas atenção: ser known shipper não dispensa a inspeção da carga. Da mesma forma, inspecionar uma carga de unknown shipper não altera, por si só, o status do embarcador nem libera seu transporte em voo de passageiros.  

O planejamento começa muito antes do embarque 

Na prática, conhecer o status do embarcador desde o início ajuda a construir uma cotação compatível com as possibilidades reais de embarque. Essa informação deve acompanhar os dados da mercadoria, como descrição, peso, dimensões e tipo de embalagem. 

Quando a condição do embarcador só é identificada perto da entrega da carga, pode ser necessário rever o voo previsto e reorganizar etapas da operação. Por isso, o prazo de uma importação aérea precisa considerar também o que acontece em solo: validações, inspeção, manuseio e entrega à companhia aérea. 

Vai importar dos Estados Unidos? Informe à equipe da CRAFT quem é o embarcador já na solicitação de cotação. Com essa informação, nossos especialistas podem avaliar as alternativas de voo e orientar o planejamento da sua carga antes mesmo da chegada ao aeroporto. 

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