A nova geografia das cadeias de suprimento

Uma indústria passa a comprar componentes de um fornecedor no Vietnã. Já outra, transfere parte da montagem para o México, mantendo o abastecimento de insumos na Ásia. Para o comércio exterior, essas decisões criam novas origens e novos destinos dentro de suas rotas e, no transporte marítimo, exigem rever portos de embarque, conexões, frequência e organização dos volumes. 

A nova geografia das cadeias de suprimento se forma nessa combinação entre diversificação de fornecedores, aproximação dos mercados consumidores e manutenção de vínculos produtivos internacionais. A consequência operacional é clara: cada mudança no mapa de fornecedores precisa ser acompanhada por uma nova leitura da rede de transporte.  

Abaixo, você confere conceitos e players da cadeia logística fundamentais para entender como a nova geografia das cadeias de suprimento vem se formando. 

Nearshoring e diversificação: o que muda nos fluxos de carga? 

O nearshoring, que nada mais é que a aproximação de etapas produtivas dos mercados de consumo, pode encurtar o percurso de distribuição do produto acabado. No entanto, a fábrica que se aproxima do comprador pode continuar recebendo componentes de outros continentes. 

Considere então uma operação de montagem no México que utilize peças asiáticas e abasteça clientes nos Estados Unidos: a distribuição final ganha proximidade, enquanto o suprimento da fábrica continua dependendo de embarques internacionais. Nesse exemplo, o planejamento precisa sincronizar a chegada dos componentes com a produção e a expedição.  

Já a estratégia conhecida como China+1 adiciona outra base de fornecimento ou produção à operação existente na China. Para o embarcador, isso pode significar pedidos distribuídos entre mais fornecedores, com diferentes datas de disponibilidade e pontos de coleta. 

A leitura logística desses movimentos é que a diversificação pode ampliar o número de embarques e reduzir o volume individual de cada lote. É nesse desenho que a consolidação de cargas passa a ter uma função importante na organização do abastecimento. 

Novos fornecedores exigem uma nova análise da conectividade marítima 

A localização do fornecedor é apenas o início da avaliação. Para entender como uma nova origem atende à operação, é necessário verificar sua conexão com o destino pretendido. 

Um porto pode ter uma ampla oferta de serviços marítimos e, ainda assim, apresentar poucas opções adequadas para determinado destino. A análise precisa considerar a frequência efetiva, o itinerário, os portos de transbordo e o alinhamento entre as escalas.   

O papel do LCL nas cadeias de suprimento diversificadas 

Quando os pedidos se distribuem entre mais origens, o LCL permite trabalhar com lotes que não ocupam uma unidade completa. 

Sua aplicação, porém, depende de uma análise que vai além do volume. A frequência da consolidação, a compatibilidade das mercadorias, os pontos de conexão e o processo no destino precisam acompanhar a necessidade de abastecimento. 

Também é importante distinguir duas etapas: a rota marítima do contêiner e o percurso da carga consolidada. Um contêiner pode seguir sem transbordo marítimo entre dois portos, enquanto a mercadoria depende de uma transferência anterior para chegar ao ponto de consolidação.  

Na avaliação do prazo, entram o recebimento no armazém, a preparação do embarque, a viagem marítima, eventuais conexões e a disponibilidade após a desconsolidação. O prazo relevante para o planejamento é aquele que acompanha a carga ao longo de toda a operação. 

Como transformar o novo mapa produtivo em planejamento logístico 

A nova geografia das cadeias de suprimento exige aproximar as decisões de compras das decisões de transporte.   

É nessa leitura entre mercados, rotas e necessidades de abastecimento que a CRAFT pode contribuir, com seus especialistas apoiando a construção de soluções personalizadas. À medida que os polos produtivos e os fluxos comerciais evoluem, acompanhar essas mudanças permite transformar novas possibilidades de fornecimento em operações logísticas bem estruturadas. 

No vídeo abaixo, você confere um bate-bola entre Federico Tamez, líder de operação na CRAFT México, e Alexandre Martinelli, da BSM, sobre os desafios de transportar cargas a partir do México e para fora do país, um dos grandes players na nova geografia das cadeias de suprimento. 

Facebook
LinkedIn
WhatsApp

Posts relacionados

Como o crescimento regional redesenha as rotas marítimas

O que acontece com a sua carga antes de decolar nos Estados Unidos?

Estiagem e transporte marítimo: o que muda com a ANTAQ na Amazônia?

Inspeção magnética: por que algumas cargas precisam do laudo antes do embarque?

Serviço direto ou com transbordo: qual é o mais vantajoso?

A nova geografia das cadeias de suprimento

Receba novidades

Fale conosco