Uma carga sai da fábrica, segue até o porto, atravessa o oceano e continua viagem até o cliente. Em cada trecho, alguém precisa movimentá-la, transportá-la ou preservar suas condições, e tudo isso consome energia.
É por essa razão que uma mudança no preço dos combustíveis pode chegar, algumas etapas depois, à cotação de um embarque. Mas a relação entre petróleo e frete não funciona como uma calculadora em que um sobe e o outro aumenta na mesma proporção, ela é muito mais complexa e depende de cada etapa da carga. Para entender o que acontece, que tal embarcar conosco para entender melhor essa cadeia?
Primeiro trecho: o navio
No transporte marítimo, o combustível utilizado pelo navio é conhecido como bunker. Seu custo entra na operação das companhias marítimas e pode ser refletido no frete por meio de mecanismos como o Bunker Adjustment Factor (BAF). Esse ajuste varia conforme a companhia, a rota e as condições contratadas.
Imagine dois embarques com a mesma origem e o mesmo destino, cotados em momentos diferentes. Mesmo que a carga seja idêntica, uma variação no preço do bunker pode alterar a composição do custo de transporte. Ainda assim, o valor do frete dependerá também da demanda, da oferta de espaço nos navios e da disponibilidade de contêineres.
Segundo trecho: o caminho escolhido
A distância percorrida pesa tanto quanto o combustível usado. Quando uma rota marítima sofre uma interrupção e o navio precisa fazer um desvio, a viagem pode levar mais tempo e consumir mais energia. Há também um efeito sobre a capacidade disponível: enquanto permanece mais dias no mar, a embarcação demora mais para iniciar uma nova viagem.
Foi o que se observou com os desvios de navios associados à crise no Mar Vermelho, que ampliaram trajetos e contribuíram para elevar custos de transporte. Assim, uma alteração no percurso pode afetar o frete mesmo sem uma mudança equivalente no preço do petróleo.
Terceiro trecho: a carga continua se movendo
A chegada ao porto não encerra o consumo de energia. Guindastes e outros equipamentos movimentam contêineres; caminhões e trens fazem a conexão com o destino final e, em operações com carga refrigerada, ainda é preciso manter a temperatura adequada durante as etapas previstas da viagem.
Cada uma dessas atividades tem custos próprios. Por isso, olhar apenas para o frete marítimo pode esconder parte do efeito da energia sobre a operação. Para o embarcador, a pergunta mais útil costuma ser: como uma mudança de custo se distribui por todo o trajeto da carga?
E quando a energia muda?
A discussão já não se limita ao petróleo. O transporte marítimo busca melhorar sua eficiência e ampliar o uso de fontes de energia com menores emissões. A Organização Marítima Internacional considera tanto os combustíveis alternativos quanto as emissões geradas ao longo de seu ciclo de vida em sua estratégia para o setor.
Essa transição exige navios preparados, infraestrutura nos portos e acesso aos novos combustíveis. Suas possibilidades e seus custos, portanto, podem variar de uma rota para outra.
Do petróleo ao frete, a energia passa por mais lugares do que parece. Ela influencia o custo de navegar, o impacto de um desvio, a movimentação da carga e as escolhas que estão moldando o futuro do transporte. Para quem planeja uma operação internacional, compreender esse percurso ajuda a ler uma cotação com mais clareza e a antecipar os fatores que podem alterar custos e prazos.
Na CRAFT, acompanhamos de perto as mudanças no mercado de energia e seus efeitos sobre as rotas, os custos e os prazos do transporte internacional. Conte com nossos especialistas para interpretar cada cenário e encontrar soluções personalizadas para a sua carga, com decisões alinhadas às necessidades da sua operação. Para saber mais sobre nossas soluções, é só clicar aqui.